Intervenção militar na Síria não parece uma boa idéia


Por Robert Spencer, da Frontpage Magazine

É provável que a intervenção militar americana na Síria comece muito em breve e uma coisa que nós sabemos, em meio à confusão geral, é que o objetivo não é derrubar Bashar Assad, de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que disse na terça-feira : “Eu quero deixar claro que as opções que estamos considerando não incluem uma mudança de regime . Eles [governo sírio] irão responder por uma evidente violação da norma internacional que proíbe o uso de armas químicas. ” A maneira como a administração de Obama pretende lidar com a alegada utilização de armas químicas pelo governo sírio, sem desafiar a permanência de Assad no poder não é clara, assim como tudo que diz respeito a esta operação militar.

Para aumentar ainda mais a confusão em torno do provável ataque à Síria, o ex primeiro- ministro britânico Tony Blair, endossou a provável participação de seu país em um ataque à Síria , dizendo que isso era necessário para evitar que o país se torne um “terreno fértil para o extremismo “.

Blair está vários meses atrasado. A Síria já é um terreno fértil para o “extremismo”. O jornal The New York Times informou nada menos que quatro meses atrás, em 28 de abril, que “Não há nenhuma força secular capaz de se manifestar na Síria controlada pelos rebeldes”. Também, há mês atrás, o major-general israelense Aviv Kochavi disse que a Síria agora “atrai milhares de jihadistas de todo o globo, além de extremistas muçulmanos, tanto da região quanto dos países vizinhos, não só para derrubar Assad , mas também para promover a visão de um Estado baseado na Sharia (lei islâmica)”.

Kochavi acrescentou que “diante dos nossos olhos, à nossa porta, um importante centro da jihad global está se desenvolvendo , o que pode afetar não só a Síria e as fronteiras de Israel, mas também do Líbano, Jordânia, Sinai e pode irradiar [a jihad] para toda a região.”

E os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão prestes a intervir militarmente lutando no mesmo lado que os “ativistas jihadistas globais e extremistas muçulmanos”. Eles estão prestes a fazê-lo porque eles acham que Bashar Assad usou armas químicas contra seu próprio povo, embora não haja nenhuma prova de que foi realmente Assad e não os rebeldes jihadistas que lançaram os ataques químicos. Além disso, os inspetores da ONU na Síria não têm mandato para determinar exatamente quem usou as armas químicas, podendo apenas comprovar o fato de que elas foram usadas ​​– sendo o ponto central descobrir quem as usou – e ninguém tem uma resposta clara e definitiva a respeito disso, muito menos Barack Obama.

Barack Obama já ajudou jihadistas e supremacistas islâmicos na Líbia e no Egito – e isso é exatamente o que ele está prestes a fazer novamente. Bill Roggio informou no Jornal Long War, em 29 de junho, que a organização islâmica Al Nusrah, que é filial da Al Qaeda na Síria, está “disposta a ajudar os grupos rebeldes da Síria, tais como o Exército Livre Sírio, e em suas declarações oficiais, admitiu já estar ajudando”. “O Al Nusrah já cooperou com o Exército Livre Sírio para estabelecer a sharia , ou lei islâmica , em Aleppo e no leste da Síria. Apesar disto, o governo dos EUA está apoiando o Exército Livre Sírio, apesar de seus bem conhecidos laços com a Al Qaeda, representado na Síria pelo Al Nusrah.

Blair se queixou de que a Síria está “atolada na carnificina entre a brutalidade de Assad e várias afiliadas da Al Qaeda”. Isso é verdade, mas ele não explicou como a intervenção americana e britânica mudaria esse fato ou ajudaria na criação de uma força de combate secular, que após a queda de Assad poderia estabelecer uma república secular pluralista, que garantia a igualdade de direitos para todos os cidadãos.

Dado o fato de que tanto o governos britânico quanto o governo americano estão dedicados a negar a realidade da jihad islâmica, além de ignorar o fato de os jihadistas islâmicos usam os textos e ensinamentos do Islã para justificar a sua violência e supremacia , é extremamente improvável que as forças americanas ou britânicas sejam capazes de perceber a diferença entre supremacistas islâmicos e secularistas  ou, ainda, em agir eficazmente a favor destes últimos, se é que de fato existem forças seculares significativas restantes na Síria.

Afinal, os EUA e a Grã-Bretanha presidiram sobre o estabelecimento de constituições baseadas na Sharia no Iraque e no Afeganistão. Por que a Síria seria diferente? Bashar Assad é sem dúvida um tirano sanguinário, assim também como muitos outros governantes ao redor do mundo que os EUA e a Grã-Bretanha ainda não se decidiram em depor – e uma guerra mundial contra a tirania provavelmente iria esgotar os recursos restantes de ambos, em pouco tempo. O que tem que ser levado em conta é que o regime de Assad tem sido muito mais hospitaleiro para os cristãos, alauítas (Assad é alauíta) e outras minorias religiosas do que um estado baseado na lei islâmica (sharia). Nem há qualquer razão para pensar que um estado baseado na sharia na Síria, mesmo que estabelecido pelos Estados Unidos, será mais” agradecido” aos Estados Unidos do que são os regimes atuais no Iraque e no Afeganistão.

E, finalmente, há a possibilidade da escalada para um conflito ainda maior. Síria sob Assad é um estado cliente do Irã, que é aliado com a Rússia. Alexander Lukashevich do ministério das Relações Exteriores russo disse terça-feira que “ignorar o Conselho de Segurança , mais uma vez para criar desculpas infundadas e artificiais para uma intervenção militar na Síria, em uma região que já está repleta de sofrimento pode trazer conseqüências catastróficas para outros países do Oriente Médio e Norte da África”. Ele acrescentou: “Estamos convidando nossos parceiros americanos e todos os membros da comunidade mundial para demonstrar prudência e estrita observância do direito internacional, especialmente os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas”.

No entanto, prudência está em falta em Washington (e Londres), nos dias de hoje. “O ocidente se comporta em relação ao mundo islâmico como um macaco com uma granada” disse o vice-Primeiro- Ministro Dmitry Rogozin russo, que tem razão quando disse que o macaco, na forma de forças norte-americanas e britânicas, está prestes a lançar a granada para a Síria; só podemos esperar que outras forças do mundo que são muito mais poderosas e sinistras do que Bashar Assad não tirem proveito desse novo esgotamento de forças já empobrecidas dos norte-americanos para dar a economia cambaleante e ao enfraquecido poderio militar um empurrão final para o abismo. Barack Obama e David Cameron , em última análise, podem vir a descobrir que eles não podem tentar a sorte sempre.

 Fonte: FrontPageMagazine
Tradução: Blog Esquerdopatia

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Minha missão é abrir os olhos para o mal que vem tomando os corações e mentes do mundo, uma psicopatia grave chamada esquerda, socialismo, comunismo ou coletivismo e seus companheiros de viagem, quais sejam: feminismo, islamismo, gayzismo, globalismo, paganismo, ateísmo. Muitas mentes e almas já estão perdidas, tamanha a lavagem cerebral a que foram submetidas, e não vêem o mal, mesmo que este lhes estapeie a cara. Porém, algumas ainda tem salvação. Nestas que pretendo concentrar meus esforços. So help me God.
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2 respostas para Intervenção militar na Síria não parece uma boa idéia

  1. Doricar disse:

    Hoje na CNN vi um analista comentando a decisão do Obama. Segundo o comentarista, ele foi bundão ao dizer que os EUA deveriam agir militarmente na Síria, mas ao mesmo tempo pediu a chancela do parlamento.
    Se ele vai à guerra e dá errado, ele divide responsabilidades. Se ele vai à guerra e dá certo, ele sai como grande estadista. Se ele não vai à guerra e dá merda na Síria, ele diz “eu avisei que deveríamos ter ido, vocês que não quiseram”.
    Segundo o analista, guerra é decisão de Estado, não decisão de política pública, e deve ser tomada firmemente pelo chefe supremo das Forças Armadas, leia-se, Mr. Barack.

  2. João Leão disse:

    É muito complexo o caso da Síria, especialmente por se tratar de um país onde há o regime endossado pela Rússia e pelo Irã. Como a oposição que luta para depor Bashar Al-Assad é composta por extremistas islâmicos, uma conduta armada por parte das grandes potências ocidentais deve ser examinada com bastante cautela. Acionar o gatilho de uma possível confrontação ideológica entre EUA, França e UK de um lado versus Rússia e China do outro pode levar a um confronto catastrófico. Vale lembrar que a Rússia já estreitou relações com a China, com ambos, inclusive, realizando exercícios militares em conjunto. Espero que eu esteja profundamente equivocado, mas há uma certa semelhança, como a formação de blocos antagônicos, com o cenário que antecedeu à primeira grande guerra.

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